
O HPV
O Papiloma Vírus Humano, também conhecido como HPV, é transmitido de pessoa a pessoa fundamentalmente pelo contato de pele com pele, geralmente de transmissão sexual sendo, portanto, considerado uma DST (Doença Sexualmente Transmissível).
Existem mais de 100 tipos de HPV sendo que 40 afetam os órgãos genitais. São classificados como HPV de alto risco aqueles que podem induzir o câncer (oncogênicos) e HPV de baixo risco aqueles que não estão relacionados ao câncer, mas que se associam a outras manifestações tais como verrugas.
Os HPV oncogênicos induzem principalmente ao câncer do colo uterino, mas também estão associados ao câncer de orofaringe, ânus, cavidade oral, laringe, vulva e pênis.
Cerca de 99% dos casos de câncer de colo uterino e das lesões precursoras de alto grau estão associados ao HPV de alto risco.
Os HPV são classificados por números, sendo que os tipos 6 e o 11 são os responsáveis por 90% das verrugas genitais (Condilomas) em homens e mulheres e os tipos 16 e 18 associam-se a 70% dos casos de câncer do colo uterino. Os outros tipos oncogênicos (45, 31, 33, 52, 35, 58, 59 e 56) estão relacionados com o restante dos casos de câncer de colo uterino.
DADOS ESTATÍSTICOS
400.000 novos casos de câncer de colo uterino no mundo / ano
200.000 mortes por câncer do colo uterino no mundo / ano
80% dos casos acima ocorrem em países subdesenvolvidos
Em 2006 o Instituto Nacional do Câncer estimou 19.260 novos casos de câncer de colo uterino no Brasil, responsável 4.000 mortes / ano.
A incidência de câncer do colo uterino, em São Paulo, é de 35 casos / 100.000 habitantes; chegando a 83 casos / 100.000 habitantes em Recife.
A prevalência de HPV em adultos jovens (14 a 29 anos) é de 15% sendo que 50 a 70% deles serão infectados durante a vida. Mais de 90% dos infectados vão apresentar uma infecção assintomática que evoluirá para cura natural. Os 10% restantes vão apresentar lesão sub-clínica ou clínica e muitos evoluirão para regressão espontânea das lesões. Porém alguns casos (cerca de 2%), se não tratados, vão evoluir para lesões de alto grau e o câncer do colo uterino. Dada a alta incidência dessa infecção o número de casos que evolui para câncer torna-se significativo.
Estudos indicam que após 12 meses da primeira relação sexual 25% das mulheres já apresentem HPV cervical.
Os HPV 16 e 18 também estão associados a 70% dos casos de câncer de vulva e vagina na mulher e a 70% dos casos de câncer de ânus em homens e mulheres.
A VACINA
Foram desenvolvidas duas vacinas contra a infecção pelo HPV, a saber:
1) O laboratório Merck Sharp & Dohme desenvolveu uma vacina tetravalente, ou seja, contra quatro tipos de HPV(6, 11, 16 e 18), responsáveis por 90% das verrugas genitais em homens e mulheres (HPV 6 e 11) e 70% dos casos de câncer de colo uterino na mulher (HPV 16 e 18).
Trata-se de uma vacina que utiliza partículas semelhante ao vírus chamadas VLP (vírus-like particles), portanto uma vacina incapaz de causar doença e não oncogênica. Nos estudos mostrou eficácia de 100% para verrugas genitais e neoplasia intra-epitelial cervical (NIC), para os tipos contidos na vacina. Para a infecção contra o HPV (6,11,16 e 18) mostrou eficácia de 90%.
Foi aprovada pela ANVISA para uso em mulheres de 9 a 26 anos de idade. Estudos com outras faixas etárias e em homens estão sendo desenvolvidos.
2) O laboratório GlaxoSmithKline desenvolveu uma vacina contra HPV oncogênico, ou seja, com foco na prevenção de eventos que podem evoluir para o câncer cervical.
Ela mostrou eficácia de 100% para neoplasia intraepitelial cervical (NIC), para os tipos contidos na vacina (HPV-16 e HPV-18), assim como proteção em níveis significativos para infecções incidentes e persistentes causadas por HPV- 31 e HPV-45. Estes 4 tipos oncogênicos são responsáveis por aproximadamente 80% dos casos de câncer de colo uterino na mulher.
Esta vacina foi aprovada pela ANVISA para uso em mulheres de 10 a 25 anos de idade. Estudos com outras faixas etárias e em homens estão sendo desenvolvidos.
Ambas as vacinas utilizam partículas semelhantes ao vírus chamadas VLP (vírus-like particles), portanto não são capazes de causar doença e não são oncogênicas. As reações adversas foram poucas e semelhantes às outras vacinas em uso.
Até o momento não há indícios de necessidade de doses de reforço.
As vacinas são administradas via intramuscular, em 3 doses, sendo a primeira dose na data escolhida e as demais doses com intervalos de 1 ou 2 meses (dependendo da vacina escolhida) e 6 meses a partir da primeira dose.
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