Leishmaniose: conheça os riscos dessa infecção que afeta animais e humanos

Doença é transmitida pelo mosquito-palha e considerada endêmica em algumas regiões do Brasil

leishmaniose

A leishmaniose é uma doença infecciosa causada por protozoários do gênero Leishmana e transmitida pela picada de flebotomíneos (mosquitos-palha) infectados. Ela pode afetar tanto humanos quanto animais, como cães, gatos e animais silvestres. Endêmica em regiões tropicais e subtropicais, a doença é amplamente distribuída em toda a América Latina, sendo o Brasil responsável por 90% dos casos notificados nas Américas.

Existem duas formas clínicas da Leishmaniose: tegumentar e visceral. A leishmaniose tegumentar no Brasil predomina na região da Amazônia e no Nordeste, sendo a Bahia o estado com maior número de notificações da doença. Já a leishmaniose visceral, inicialmente predominante nos estados do Nordeste, vem apresentando um aumento expressivo na incidência anual de casos na maioria dos estados brasileiros, com explosão do número de casos nos estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul, Tocantins e Pará.

Em 2023, dados do Ministério da Saúde indicam que foram registrados cerca de 13 mil casos da doença na forma tegumentar e cerca de dois mil na forma visceral (considerada mais grave). A seguir, explicaremos o que diferencia os tipos de leishmaniose, como ela é transmitida e quais as formas de tratamento para a condição.

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Leishmaniose: o que é?

A leishmaniose é uma doença parasitária causada por protozoários do gênero Leishmania, sendo transmitida principalmente pela picada da fêmea contaminada dos insetos flebotomíneos, conhecidos popularmente como mosquito-palha.

É considerada uma zoonose, já que pode ser transmitida de animais para humanos. A doença pode afetar a pele, as mucosas e os órgãos internos, dependendo do tipo da Leishmania e da gravidade da infecção.

Tipos de Leishmaniose

Existem duas formas principais de leishmaniose: 

  • Leishmaniose cutânea (LC) ou tegumentar: afeta a pele, causando feridas que podem ser únicas ou múltiplas, geralmente indolores e com bordas elevadas. A LC é a forma mais comum da doença e, na maioria dos casos, tem cura. 

  • Leishmaniose visceral (LV): afeta órgãos internos, como fígado, baço e medula óssea. A LV é uma forma mais grave da doença e, se não tratada, pode ser fatal. 

Como ocorre a transmissão da Leishmaniose?

A transmissão da leishmaniose ocorre exclusivamente por meio da picada da fêmea do mosquito flebotomíneo infectado. Esses insetos são mais ativos durante o crepúsculo e a noite e proliferam em áreas com acúmulo de matéria orgânica, como folhas e frutos em decomposição.

É importante destacar que a doença não é transmitida diretamente de pessoa para pessoa ou de animal para humano. No entanto, os cães infectados pelo protozoário podem atuar como reservatórios do parasita, contribuindo para a disseminação da doença.

Formas de prevenir a Leishmaniose

A prevenção da leishmaniose envolve medidas como: 

  • Controle do vetor: a eliminação de criadouros de flebotomíneos (locais com matéria orgânica em decomposição, como lixo e fezes de animais) é importante para impedir a disseminação do mosquito em áreas de risco. 

  • Controle do reservatório: identificação e tratamento de animais infectados, principalmente cães, que são os principais reservatórios da leishmaniose urbana (lembrando que eles não passam a doença para os seres humanos). A OMS (Organização Mundial de Saúde) preconiza o uso de coleiras com repelentes para auxiliar na diminuição da infecção canina. 

  • Higiene: manter limpos quintais e terrenos, removendo folhas e frutos caídos, que podem servir de abrigo para os flebotomíneos. 

 Além dessas medidas, a instalação de telas protetoras em portas e janelas; além do uso de repelente em áreas de risco também são medidas importantes para prevenir a infecção. Não existe vacina para a forma humana da doença.

Sintomas da Leishmaniose

Os sintomas da leishmaniose variam de acordo com a forma da doença: 

  • Leishmaniose cutânea: feridas na pele que não cicatrizam, geralmente com bordas elevadas e fundo granuloso. As lesões podem ser únicas ou múltiplas e, em alguns casos, podem causar deformidades e cicatrizes grandes. 

  • Leishmaniose visceral: febre prolongada, perda de peso, aumento do volume do abdômen (devido ao aumento do fígado e do baço), anemia e fadiga. 

Quando procurar por um médico?

É recomendado buscar ajuda médica ao perceber sintomas como feridas na pele que não cicatrizam. No caso da leishmaniose visceral, a presença de febre persistente, perda de peso sem causa aparente ou aumento do volume abdominal podem ser sinais de alerta importantes da doença. 

Pessoas que vivem ou viajam para áreas endêmicas devem redobrar a atenção, especialmente se tiverem contato com ambientes propícios à proliferação do mosquito transmissor. 

É importante mencionar que o aparecimento das lesões cutâneas na leishmaniose tegumentar ocorre usualmente 2 a 3 semanas após a picada do inseto vetor e se desenvolvem no local da picada. Já a leishmaniose visceral se instala meses ou até anos após a exposição inicial à picada do vetor, e os sintomas se instalam de forma insidiosa, se arrastando por vários meses até que o paciente procure por atendimento médico.

Exames que auxiliam no diagnóstico da Leishmaniose

Além da análise clínica do paciente e das feridas (se elas estiverem presentes), o diagnóstico da leishmaniose envolve exames como 

  • Exames parasitológicos: análise direta de amostras de sangue ou de tecido para identificação do protozoário. A cultura pode ser realizada em meios específicos para a Leishmania, permitindo o cultivo do parasita. 

  • Testes sorológicos: detectam anticorpos específicos contra Leishmania. 

  • PCR (Reação em Cadeia da Polimerase): exame molecular de alta precisão capaz de identificar a presença do material genético do parasita em amostras clínicas, oferecendo alta sensibilidade e especificidade para o diagnóstico da doença. 

  • Exames de imagem: em casos de Leishmaniose visceral, a ultrassonografia, a tomografia computadorizada e a ressonância magnética dos órgãos e sistemas afetados podem auxiliar na avaliação da extensão da doença e suas possíveis complicações. 

  • Exame anátomo-patológico: em caso de leishmaniose visceral, a realização de biópsia pode ser necessária para confirmar o diagnóstico, como biópsia esplênica, da medula óssea, ou de linfonodos. 

Tratamentos

Cada forma de leishmaniose tem um tratamento específico recomendado. Na forma cutânea ou tegumentar, o tratamento de escolha é o uso de medicamentos antimoniais, como o glucantime, aplicados por via intramuscular ou intralesional, para combater o protozoário causador da doença.

Já a leishmaniose visceral, por ser mais grave e invasiva, requer tratamento com medicamentos mais potentes. Os fármacos disponíveis são a glucantima intramuscular ou intravenosa, a anfotericina B e a pentamidina, que pode ser administrada por via intravenosa.

Em ambos os casos, o acompanhamento médico deve ser feito de forma rigorosa até a alta completa para evitar recaídas e complicações.

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Fonte: Dra. Ligia Pierrotti - Infectologista