
Autor: Dr. Vinicius Araujo Soares, hematologista do Hospital Santa Paula
A leucemia mieloide aguda (LMA) é um tipo agressivo de câncer que afeta o sangue e a medula óssea, o tecido responsável pela produção das células sanguíneas. Caracterizada pelo rápido crescimento de células anormais, essa condição pode comprometer seriamente o sistema imunológico e causar sintomas como cansaço extremo, sangramentos fáceis, febre e infecções frequentes. Embora seja mais comum em adultos, a LMA pode surgir em qualquer idade, exigindo diagnóstico e tratamento imediatos.
Leucemia mieloide aguda: o que é?
A leucemia mieloide aguda é uma forma de câncer que compromete as células da medula óssea. A medula óssea, localizada no interior dos ossos, é responsável pela produção das células do sangue. É nela que se encontram as células que originam os glóbulos brancos (leucócitos), os glóbulos vermelhos (hemácias ou eritrócitos) e as plaquetas.
Neste tipo de leucemia, células do sangue imaturas, por alterações genéticas, crescem de forma rápida e desordenada, ocupando inclusive o espaço das células sanguíneas normais. Com isso, essas células sanguíneas perdem a capacidade de desempenhar suas funções normais, levando às principais manifestações da doença.
Vale destacar que existem diferentes tipos de leucemia, classificados com base na velocidade de progressão e no tipo de célula acometida. As leucemias podem ser agudas, com crescimento acelerado, ou crônico, de evolução mais lenta. Além disso, são divididas conforme as células afetadas: linfoides e mieloides.
Possíveis causas para a leucemia mieloide aguda
A LMA surge devido a mudanças genéticas em células da medula óssea, que podem ocorrer ao longo da vida sem uma causa clara identificada. No entanto, fatores como exposição a substâncias químicas, como o benzeno, e tratamentos prévios com quimioterapia ou radioterapia para outros tipos de câncer podem aumentar o risco.
Além disso, algumas pessoas podem herdar mutações genéticas que as tornam mais propensas a desenvolver a doença. Embora a doença possa ocorrer em qualquer faixa etária, ela é mais frequente em adultos com mais de 60 anos.
Sintomas da Leucemia mieloide aguda
Os sintomas da leucemia mieloide aguda incluem:
- Fadiga e falta de energia;
- Palidez;
- Infecções frequentes;
- Sangramento fácil;
- Dificuldade para respirar;
- Febre;
- Sudorese noturna.
Qual médico procurar?
Para casos de suspeita de leucemia mieloide aguda, o indicado é procurar uma emergência, quando será encaminhada para assistência de um médico hematologista, especializado em doenças do sangue e da medula óssea. O hematologista é treinado para interpretar exames como hemograma e mielograma, que ajudam a identificar alterações nas células sanguíneas e confirmar o diagnóstico de leucemia.
Vale lembrar que a LMA é uma condição potencialmente grave e que precisa de um diagnóstico em tempo hábil. Caso a LMA seja confirmada, o hematologista também é responsável por iniciar e acompanhar o tratamento, que pode incluir quimioterapia, imunoterapia e, em alguns casos, transplante de medula óssea.
Como é feito o Diagnóstico?
O diagnóstico de leucemia começa com a avaliação do histórico clínico e familiar. Exames de sangue são solicitados para verificar a contagem de células sanguíneas e identificar possíveis anormalidades. O hemograma, por exemplo, mede os níveis de glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas.
Para confirmar o diagnóstico e identificar o tipo específico de leucemia, é essencial examinar a medula óssea por meio de um mielograma. Esse procedimento envolve a coleta de uma amostra de sangue da medula óssea, geralmente por punção no osso da bacia ou no esterno. Exames adicionais, como imunofenotipagem, cariótipo, FISH e NGS, são realizados para obter uma análise mais detalhada e precisa da doença.
Vale destacar que a leucemia mieloide aguda pode ser curada. As chances de sucesso dependem de fatores como a classificação da doença, a idade e o estado geral de saúde do paciente.
Painel NGS para Neoplasias Mieloides
Com o intuito de analisar um painel de genes específicos ligados ao desenvolvimento de doenças mieloides, como a LMA, Síndrome Mielodisplásica (SMD) e outras condições semelhantes, existe o sequenciamento de nova geração (NGS), conhecido como Painel NGS para Neoplasias Mieloides.
Trata-se de um exame avançado de sequenciamento genético fundamental para o diagnóstico preciso, a previsão da evolução e a personalização do tratamento dessas neoplasias.
No caso da leucemia mieloide aguda, o exame investiga mutações específicas conforme as classificações da OMS (Organização Mundial da Saúde) e da European Leukemia Net, oferecendo informações importantes sobre o prognóstico do paciente.
Formas de tratamento para a Leucemia mieloide aguda
O tratamento da leucemia mieloide aguda combina diferentes estratégias para destruir as células anormais da medula óssea e restabelecer a produção saudável de células sanguíneas.
As principais opções incluem quimioterapia, terapias-alvo (tratamento que se concentra em partes específicas das células cancerígenas, operando de forma distinta da quimioterapia convencional) e medicamentos orais. Muito frequentemente o tratamento de suporte também é necessário, incluindo aqui transfusão sanguínea e o tratamento de infecções intercorrentes.
Em casos específicos, pode ser necessário o transplante de medula óssea alogênico. Esse procedimento consiste em substituir as células doentes por células saudáveis provenientes de um doador compatível, que pode parente ou um doador não aparentado. O objetivo é restaurar a funcionalidade da medula óssea e aumentar as chances de cura.
O tratamento paliativo também faz parte dos cuidados do paciente, e pode ofertar conforto para família e paciente.