A esclerose múltipla é uma doença que afeta o cérebro e a medula espinal. Essa condição causa inflamação e danos à mielina, uma substância que reveste e protege as fibras nervosas, comprometendo a comunicação entre o cérebro e os nervos do resto do corpo. Em geral, a esclerose múltipla acomete pessoas jovens, entre 20 e 40 anos, com maior prevalência entre mulheres. Atualmente, cerca de 2,8 milhões de pessoas em todo o mundo têm EM; no Brasil, estima-se que são cerca de 40 mil pessoas. Saiba mais sobre essa condição a seguir.
Esclerose Múltipla: o que é?
A esclerose múltipla é uma doença em que o sistema imunológico ataca a mielina, uma substância que reveste e protege as fibras nervosas do sistema nervoso central (SNC) –um processo chamado de desmielinização.
A mielina é formada por uma membrana rica em lipídios que reveste os neurônios das substâncias branca e cinzenta do SNC. Na EM, essa camada é destruída em múltiplas regiões, como cérebro, tronco encefálico, nervos ópticos e medula espinal.
Com isso, a transmissão do impulso nervoso no cérebro e na medula espinal é comprometido, dificultando a comunicação com o resto do corpo. Atualmente, a EM é considerada a doença neurológica desmielinizante mais comum do sistema nervoso central (SNC).
Cerca de 85% dos pacientes apresentam a forma clínica chamada de remitente-recorrente ou surto-remissão. Nela, eles apresentam curtos períodos de sintomas seguidos de períodos de remissão caracterizado por recuperação parcial ou total dos sintomas.
Já a forma primária da doença acomete cerca de 10% dos pacientes e há uma piora gradativa dos sintomas a cada surto, o que pode levar a uma incapacidade física importante.
Por fim, ao longo dos anos, a doença pode evoluir para a forma clínica secundariamente progressiva, em que os pacientes não se recuperam dos sintomas que surgem durante os surtos e acumulam sequelas neurológicas a depender da região acometida. Essa é a forma mais agressiva da doença, com evolução rápida e que acomete cerca de 5% dos pacientes.
Possíveis causas
Embora a causa exata da esclerose múltipla ainda seja desconhecida, acredita-se que uma combinação de fatores genéticos e ambientais desempenhe um papel importante no desenvolvimento da doença.
Na prática, o que ocorre é que esses fatores desencadeiam uma resposta autoimune do corpo que provoca uma inflamação na mielina e posterior degeneração neuronal. Isso acontece pois o sistema imunológico do indivíduo não reconhece a membrana como parte do organismo e, assim, tenta destruí-la.
No geral, o que se sabe atualmente sobre a EM é que:
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Pessoas com histórico familiar da doença apresentam maior risco;
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Fatores como deficiência de vitamina D e exposição insuficiente ao sol podem estar associados;
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Infecções virais, como as causadas pelo vírus Epstein-Barr, podem atuar como gatilhos.
Além disso, a condição é mais comum em mulheres e tende a surgir entre os 20 e 40 anos de idade.
É possível prevenir a esclerose múltipla?
Infelizmente, ainda não há uma forma cientificamente comprovada para prevenir o surgimento de esclerose múltipla.
No entanto, os médicos acreditam que manter bons hábitos de vida e cuidar da saúde de forma geral é uma forma de fortalecer o sistema imunológico e reduzir os riscos. As mudanças incluem:
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Manutenção de níveis saudáveis de vitamina D;
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Prática regular de exercícios físicos;
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Alimentação balanceada e rica em nutrientes.
Sintomas da esclerose múltipla
A apresentação dos sintomas da EM variam entre os indivíduos. Os mais comuns incluem:
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Comprometimento da visão, como visão turva ou dupla, neurite óptica (dor ao movimentar os olhos) e redução da acuidade visual;
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Fraqueza muscular, dificuldade para andar, espasmos dolorosos de grupos musculares e rigidez do músculo;
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Dificuldade para manter o equilíbrio, falta de coordenação;
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Dor em face sugestivo de nevralgia do trigêmeo;
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Formigamento, dormência ou dor nos braços, pernas, tronco ou rosto;
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Retenção ou incontinência urinária (dificuldade de controle da bexiga);
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Tontura intermitente ou constante.
Outros sintomas podem se apresentar de forma mais tardia, como:
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Fadiga mental ou física, que acompanha os primeiros sintomas durante uma crise;
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Alterações de humor, como depressão ou dificuldade de expressão ou controle emocional;
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Disfunção cognitiva, como problemas de concentração, aprendizado ou dificuldades de memória.
Em alguns casos, a EM pode levar à paralisia parcial ou completa e o uso de cadeira de rodas pode ser necessário, principalmente em indivíduos não tratados ou com a doença avançada.
Qual médico procurar?
Diante de sintomas sugestivos de esclerose múltipla, o primeiro passo é buscar um neurologista. Este especialista é capacitado para avaliar o quadro clínico e solicitar exames específicos.
Em casos em que o paciente apresente sintomas iniciais inespecíficos, como dores musculares ou tontura, um clínico geral também pode encaminhar ao especialista para investigação mais detalhada.
Exames indicados para o diagnóstico
O diagnóstico de EM é realizado por meio de análise do histórico clínico do paciente, exame físico e neurológico detalhados, ressonância magnética do cérebro e da medula espinal (para procurar as lesões características da EM) e exames de sangue.
Em alguns casos, pode ser necessário realizar uma punção lombar para análise do líquor (líquido que banha o sistema nervoso central).
Formas de tratamento para a esclerose múltipla
Não há cura para a esclerose múltipla, mas existem tratamentos que podem ajudar no controle dos sintomas e retardar a progressão da doença, melhorando a qualidade de vida do paciente.
Os medicamentos imunomoduladores, por exemplo, são usados para reduzir a frequência de surtos e limitar a progressão da doença. Atualmente, existem mais de dez medicamentos aprovados tratar a EM, mas eles devem ser prescritos de acordo com cada caso e necessidade.
Além de tratamento com medicamento específico, uma série de mudanças no estilo de vida auxiliam no tratamento e na melhora clínica, como:
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Manter uma alimentação balanceada e sem alimentos ultraprocessados;
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Evitar consumo de tabaco;
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Redução de obesidade abdominal;
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Praticar atividade física de forma regular;
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Manter uma boa rotina de sono e níveis fisiológicos de vitamina D, seja por meio de reposição da vitamina ou exposição periódica ao sol.
Por fim, terapias de apoio com fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional, fisioterapeuta, nutricionista e psicólogo também podem ser importantes para promover o bem-estar físico e emocional do paciente.
Autor: Renato Hoffmann - Neurorradiologista