Neuralgia do Trigêmeo: dor intensa e incapacitante no rosto afeta a rotina

Neuralgia do Trigêmeo - A Pior Dor do Mundo

A neuralgia do trigêmeo causa dor intensa na área do rosto, onde cursa o nervo trigêmeo, responsável pela sensação tátil, térmica e dolorosa da face. A dor costuma ser tão forte que é frequentemente considerada uma das mais severas e incapacitantes. No Brasil, a incidência anual da doença é de 4 casos por 100 mil indivíduos e é mais comum em pessoas acima de 50 anos. A seguir, veja detalhes das causas, sintomas e formas de tratamento da doença. 

 

Neuralgia do Trigêmeo: o que é?  

A neuralgia do trigêmeo é uma condição dolorosa que afeta o nervo trigêmeo, responsável pela sensação facial e pelo controle dos músculos da mandíbula. Caracterizada como uma dor crônica, que persiste por mais de três meses e, muitas vezes, se torna debilitante. 

A dor intensa é geralmente descrita pelos pacientes como choques elétricos ou agudas pontadas, afetando principalmente o rosto. Por se localizar em uma área com grande sensibilidade e alta densidade de terminações nervosas, a neuralgia do trigêmeo causa sofrimento intenso e dificuldade em realizar atividades diárias. 

O desconforto provocado por essa condição é classificado como dor neuropática, pois, resulta de disfunções ou danos no nervo trigêmeo. 

 

Agendar exame

 

Possíveis causas para a neuralgia do trigêmeo  

A causa mais comum da neuralgia do trigêmeo ocorre por compressão o nervo por um vaso, geralmente artéria ou veia cerebral. No entanto, em alguns casos, a causa não é claramente identificada.  

A neuralgia secundária, que surge como consequência de outras doenças, está frequentemente relacionada a condições neurológicas como a esclerose múltipla ou tumores cerebrais, que também podem causar compressão do nervo trigêmeo.  

No caso de compressão secundária a doenças neurológicas, a dor pode afetar ambos os lados do rosto e ser acompanhada de perda de sensibilidade facial. 

Além disso, pode ser causada pelo herpes-zóster quando o vírus varicela-zoster, que permanece latente no corpo após a infecção inicial (catapora), se reativa e afeta o nervo trigêmeo.  

 

Sintomas da neuralgia do trigêmeo  

O sintoma mais característico da neuralgia do trigêmeo é a dor intensa e repentina no rosto, frequentemente descrita como choques elétricos ou pontadas agudas. Essa dor pode afetar um dos lados da face (unilateral) ou ambos os lados (bilateral).  

Embora os episódios de dor geralmente sejam breves, eles podem se repetir várias vezes ao longo do dia, gerando grande desconforto. Em alguns casos, a dor surge de forma intermitente e persistente.  

Além disso, os pacientes frequentemente apresentam sensibilidade exagerada na área afetada, experimentando dor ao realizar atividades cotidianas, como escovar os dentes, lavar o rosto ou comer.  

 

Diagnóstico da neuralgia do trigêmeo  

O diagnóstico da neuralgia do trigêmeo é feito após uma avaliação clínica detalhada por um neurologista, que pode incluir exames adicionais para excluir outras possíveis condições médicas. 

Durante a consulta, o médico examina os sintomas relatados, como a dor facial, identificando sua localização, intensidade, frequência e duração, além de considerar como esses sintomas afetam o dia a dia do paciente. 

Exames de imagem, como a ressonância magnética, podem ser solicitados para excluir a presença de tumores ou anomalias vasculares que possam pressionar o nervo trigêmeo. 

Em determinadas situações, podem ser realizados testes específicos para estimular o nervo trigêmeo, com o objetivo de reproduzir a dor típica e confirmar o diagnóstico.


Além disso, uma avaliação neurológica é essencial para assegurar que o nervo trigêmeo esteja funcionando adequadamente. 

 

Agendar exame

 

Como é o tratamento?  

O tratamento da neuralgia do trigêmeo varia conforme a gravidade dos sintomas. Inicialmente, são indicados medicamentos para aliviar a dor, como analgésicos e anticonvulsivantes.  

Outras opções terapêuticas incluem:  

  • Bloqueio nervoso por injeção para controlar a dor;  

  • Radiofrequência, que destrói uma parte do nervo trigêmeo, bloqueando a transmissão da dor;  

  • Cirurgias para aliviar a pressão sobre o nervo trigêmeo causada por vasos sanguíneos próximos ou, em casos mais graves, a remoção parcial ou total do nervo; 

  • Neurotomia percutânea por balão, que utiliza um balão inflado perto do nervo trigêmeo para danificar as fibras nervosas e reduzir a dor;  

  • Acompanhamento psicológico para lidar com o impacto emocional da dor crônica e as limitações que ela impõe no cotidiano.

 

Neuralgia do trigêmeo tem cura? 

Não, atualmente a neuralgia do trigêmeo não tem cura definitiva. No entanto, existem tratamentos eficazes que podem controlar os sintomas e melhorar a qualidade de vida dos pacientes. A gestão da condição geralmente envolve medicamentos, terapias e, em alguns casos, procedimentos cirúrgicos. 

 

É possível prevenir a neuralgia do trigêmeo?  

Em casos de neuralgia secundária, associada a doenças como a esclerose múltipla, o controle eficaz dessas condições pode reduzir o risco de desenvolver a neuralgia.  

Manter um estilo de vida saudável, com foco no controle do estresse, alimentação balanceada e exercícios físicos regulares, pode contribuir para a saúde do sistema nervoso.  

Além disso, se houver histórico familiar ou diagnóstico de doenças que aumentam a probabilidade de neuralgia do trigêmeo, é importante realizar acompanhamento médico para monitorar possíveis complicações.  

 

 

Fonte: Dr. Felipe Alba - Neurorradiologista do Hospital Nove de Julho