A dengue é uma doença provocada por um vírus transmitido pela picada do mosquito Aedes aegypti infectado. Em 2025, o Brasil já registrou mais de 322 óbitos devido à doença e mais de 639 mil casos prováveis da doença, conforme informações divulgadas pelo Ministério da Saúde. Continue a leitura para saber detalhes dos sintomas, como é feito o diagnóstico e formas de prevenção.
O que é dengue?
A dengue é uma doença do grupo das arboviroses, ou seja, causada por vírus transmitidos por mosquitos. No Brasil, o mosquito responsável pela transmissão é a fêmea do Aedes aegypti. Existem quatro tipos de vírus da dengue – DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4 –, que possuem diferentes características genéticas.
A doença infecciosa pode afetar pessoas de todas as idades, incluindo bebês, crianças e adultos. Em algumas situações, pode evoluir para formas mais graves, que podem causar complicações sérias, e em alguns casos, pode levar ao óbito.
Sintomas da dengue
Os sintomas da dengue clássica podem variar, mas os mais comuns são:
-
Febre alta repentina.
-
Dor de cabeça intensa.
-
Dor atrás dos olhos.
-
Dores musculares e nas articulações.
-
Erupções cutâneas (manchas vermelhas na pele).
-
Náuseas e vômitos.
-
Fadiga e fraqueza.
Já a dengue grave pode causar complicações, como sangramento intenso, choque, problemas respiratórios e falência de órgãos. Essa forma da doença requer tratamento médico urgente e especializado.
Diagnóstico dengue
O diagnóstico da dengue é feito com base na avaliação clínica dos sintomas e no histórico de exposição ao mosquito transmissor. O médico considera sinais típicos da doença, como febre alta e dores no corpo, para suspeitar da infecção.
Para confirmar o diagnóstico, nos primeiros cinco dias são realizados exames laboratoriais em sangue, como a detecção da proteína não estrutural NS-1 do vírus ou o exame de PCR (Reação em Cadeia da Polimerase).
Após cinco dias do início dos sintomas, pode ser realizado o teste sorológico, que detecta anticorpos, como IgM e IgG, produzidos pelo corpo em resposta ao vírus da dengue.
Exames de sangue, como hemograma, também são importantes para avaliar a contagem de plaquetas, hematócrito e outros parâmetros que ajudam a identificar complicações, como a forma grave da doença.
Exame de dengue: como funciona e quando fazer
O diagnóstico da dengue é fundamental para o tratamento adequado e para evitar complicações graves. Para isso, são realizados diferentes tipos de exames, que variam conforme o estágio da doença. Veja abaixo detalhes:
Teste rápido dengue NS-1
Detecta uma proteína específica do vírus da dengue, conhecida como NS-1, que está presente no sangue logo nos primeiros dias de infecção. Esse teste é eficaz para diagnosticar a dengue nas fases iniciais, antes que o corpo comece a produzir anticorpos. Quando realizado nos primeiros dias após o surgimento dos sintomas pode ser uma ferramenta útil para identificar de forma precoce.
Dengue IgM
O exame dengue IgM identifica os anticorpos produzidos pelo corpo após a infecção pelo vírus da dengue. Esses anticorpos começam a aparecer entre três e cinco dias após o início dos sintomas, e sua presença indica infecção recente ou ativa.
Um resultado positivo para IgM sugere que a pessoa está enfrentando uma infecção ativa, sendo essencial realizar o exame no momento correto para garantir a detecção precisa.
Dengue IgG
O exame Dengue IgG detecta anticorpos que surgem depois que o corpo já passou pela infecção ou em fases mais avançadas. Esses anticorpos são mais duradouros e indicam que a pessoa já teve dengue em algum momento. Mas o teste não ajuda no diagnóstico da infecção aguda.
Qual o tratamento para dengue?
O tratamento da dengue tem como objetivo aliviar os sintomas e evitar complicações, já que não há medicamentos específicos para o vírus.
A principal medida é garantir a hidratação do paciente, especialmente em casos de febre e vômitos, podendo ser necessário o uso de líquidos via intravenosa em casos graves.
É importante controlar a febre e as dores no corpo e alguns medicamentos podem ser prescritos.
O acompanhamento médico constante é essencial para identificar complicações, como a dengue grave, que pode afetar órgãos e causar queda da pressão arterial. Casos mais graves podem precisar de internação e cuidados intensivos.
O repouso também é fundamental durante a recuperação, e o indivíduo deve evitar esforços físicos até melhorar. Se houver complicações, a transfusão de sangue pode ser necessária.
Prevenção da dengue: como evitar a doença e proteger sua família
Além da vacinação, a prevenção da dengue também envolve o controle da reprodução do mosquito transmissor.
O Aedes aegypti busca locais com água parada para depositar seus ovos. Por isso, é importante verificar e evitar o acúmulo de água em recipientes.
Para prevenir a dengue, é importante adotar as seguintes medidas:
-
Aplicar repelentes com icaridina, DEET ou IR3535;
-
Sempre que possível, usar roupas claras e cobrir o corpo para evitar picadas;
-
Eliminar qualquer foco de água parada;
-
Colocar telas em portas e janelas para impedir a entrada de mosquitos;
-
Utilizar inseticidas e larvicidas nas áreas de risco;
-
Manter os lixos sempre tampados;
-
Descartar corretamente itens como cascas de coco, latas, garrafas, copos plásticos e embalagens;
-
Armazenar pneus em locais cobertos e protegidos da chuva;
-
Garantir que as caixas d'água estejam bem vedadas.
Vacina Dengue
Há uma vacina da dengue disponível no Brasil atualmente:
-
QDenga (Takeda): disponível no SUS para crianças de 10 a 14 anos. Na rede privada, pode ser administrada em crianças a partir de 4 anos, adolescentes e adultos até 60 anos, tanto para quem já teve, quanto para quem nunca teve dengue. O esquema de aplicação é de duas doses, com um intervalo de três meses. É contraindicada para gestantes, mulheres em período de amamentação e pessoas com imunodeficiência.
Fonte: Dra. Maria Isabel de Moraes Pinto - Infectologista