Adrenoleucodistrofia é condição genética rara; conheça os sintomas

Adrenoleucodistrofia

Alteração genética provoca alterações no sistema nervoso e nas glândulas adrenais

A adrenoleucodistrofia é uma doença genética rara com incidência estimada em uma para cada 20 mil crianças e que afeta principalmente indivíduos do sexo masculino, causando uma série de complicações físicas e neurológicas. A condição ficou mais conhecida após ser retratada no filme "Óleo de Lorenzo" (de 1992), que narra a história real de um garoto diagnosticado com a doença e a luta de seus pais para descobrir um tratamento. A adrenoleucodistrofia exige atenção multidisciplinar desde o início dos sintomas até o tratamento e monitoramento. Continue a leitura para saber mais sobre essa condição.

Adrenoleucodistrofia: o que é?

A adrenoleucodistrofia é uma doença genética rara que afeta principalmente indivíduos do sexo masculino.

Ela é caracterizada por uma anormalidade no metabolismo dos ácidos graxos de cadeia muito longa (VLCFA), comprometendo o funcionamento da glândula adrenal (causando insuficiência adrenal) e provocando alterações na substância branca do cérebro (leucodistrofia) -- daí a origem do nome da condição.  

A adrenoleucodistrofia pode causar uma série de problemas, incluindo declínio cognitivo, perda de visão e audição, problemas de movimento e insuficiência adrenal.

 

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Causas para a Adrenoleucodistrofia

A adrenoleucodistrofia é causada por mutações no gene ABCD1, que codifica uma proteína chamada ALD. Essa proteína atua no transporte de moléculas de gorduras chamadas de ácidos graxos de cadeia muito longa até estruturas celulares chamadas de peroxissomos, onde serão metabolizadas.

Sem o funcionamento normal dessa proteína, esse transporte não acontece e os ácidos graxos de cadeia muito longa se acumulam progressivamente nas células e nos tecidos do corpo, provocando a condição conhecida como adrenoleucodistrofia.

Um fato importante é que o gene ABCD1 se localiza no cromossomo X. Portanto, quando a mutação genética está presente em um menino (que tem apenas um cromossomo X), ele terá todas as suas células afetadas e tem alto risco de apresentar a forma mais tradicional (e mais grave) da doença.

Por outro lado, as meninas possuem dois cromossomos X. Portanto, elas usualmente têm uma cópia do gene afetado em um dos cromossomos e normal no outro. Por isso, geralmente as meninas não apresentam a forma clássica da condição --embora possam ter uma forma mais atenuada chamada de adrenomieloneuropatia.

Riscos

Os riscos da adrenoleucodistrofia variam de acordo com a forma clínica da doença. Nos casos mais agressivos, quando há comprometimento do sistema nervoso, a doença pode levar à perda progressiva de funções motoras e cognitivas, podendo levar ao estado vegetativo e até ao óbito em poucos anos.

Além disso, a insuficiência adrenal, uma complicação comum, pode levar a crises hipotensão arterial (pressão baixa), hipoglicemia e até coma, se não tratada adequadamente.

Outro aspecto preocupante é o impacto emocional e social da doença, tanto para os pacientes quanto para suas famílias. Pacientes adultos com adrenomieloneuropatia enfrentam, por exemplo, dificuldades motoras, espasticidade (contrações musculares involuntárias e rigidez muscular) e disfunção urinária, afetando significativamente sua qualidade de vida.

Sintomas da Adrenoleucodistrofia

Geralmente, os indivíduos portadores da adrenoleucodistrofia nascem clinicamente normais e começam a apresentar sintomas após alguns anos, no início da idade escolar.

Os sintomas mais comuns da adrenoleucodistrofia relacionados à insuficiência da glândula adrenal e incluem:    

  • Fraqueza;   

  • Tonturas;   

  • Pressão arterial baixa. 

Outro sintoma conhecido relacionado à leucodistrofia é a degeneração da substância branca do cérebro, que provoca:  

  • Dificuldades progressivas na marcha e na fala; 

  • Problemas de aprendizado e declínio cognitivo; 

  • Dificuldades na audição e na visão. 

Mas é importante mencionar que alguns pacientes apresentam apenas as manifestações adrenais, enquanto outros manifestam apenas sintomas neurológicos.

Já as meninas, em geral, não têm a forma clássica da doença, mas podem apresentar a forma atenuada chamada de adrenomieloneuropatia. Nesse caso, a condição afeta a medula espinhal na idade adulta e provoca:    

  • Fraqueza muscular;  

  • Dificuldades de marcha;  

  • Alterações no tônus muscular;  

  • Problemas adrenais. 

Diagnóstico da Adrenoleucodistrofia

O diagnóstico de adrenoleucodistrofia pode ser feito pela dosagem dos ácidos graxos de cadeia muito longa no sangue, que estão em níveis aumentados nos homens afetados. Nas mulheres os resultados dessa dosagem geralmente não são conclusivos.

No entanto, em função da disponibilidade restrita da dosagem de ácidos graxos de cadeia muito longa, cujos resultados são informativos apenas para pacientes masculinos, a forma mais prática de realizar o diagnóstico pode ser por meio do sequenciamento do gene ABCD1, método que permite identificar a mutação tanto em homens como em mulheres.

Por outro lado, não é incomum que pacientes sejam diagnosticados antes de apresentarem sintomas da doença. Uma vez que a doença é ligada ao cromossomo X, é possível realizar um aconselhamento genético antes da gestação, ou mesmo realizar exames genéticos em indivíduos de risco antes de qualquer manifestação clínica do problema, o que permite um tratamento precoce e mais bem sucedido.

Um desses exames de rastreio disponível atualmente é o BabyGenes, um teste de triagem neonatal complementar capaz de rastrear cerca de 400 doenças não detectadas pelo teste do pezinho convencional. 

Outro exame de rastreio é Painel de Portador, indicado para casais que pretendem ter filhos e querem aferir se são portadores de variantes relacionadas com doenças genéticas.

Além disso, o sequenciamento de nova geração (NGS) do gene ABCD1 (ou de um painel que contenha esse gene) fornece uma informação precisa, reduzindo o risco de falso-negativos e abreviando a jornada diagnóstica.

Para obter mais informações sobre onde realizar o exame BabyGenes, o Painel de Portador, e o sequenciamento do gene ABCD1, consultar preços e localizar o laboratório mais próximo da sua região, basta acessar nossa plataforma de agendamentos online.

Tratamento para a Adrenoleucodistrofia

O tratamento da adrenoleucodistrofia é realizado para amenizar os sintomas provocados pela condição, visando trazer mais qualidade de vida para o portador da doença. No caso da insuficiência adrenal, o tratamento é feito com a reposição dos hormônios que deixaram de ser produzidos pela glândula.

Já para a leucodistrofia, o tratamento é mais complexo. A forma mais eficaz é por meio do transplante de medula óssea, mas o desafio é realizá-lo antes que as alterações cerebrais tenham progredido de modo significativo. Isso, no entanto, nem sempre é fácil, pois geralmente o diagnóstico é feito após o início dos sintomas clínicos, quando a doença já está avançada e o transplante já não será mais bem-sucedido.

Nos casos em que a condição é diagnosticada antes dos sintomas surgirem (com o diagnóstico neonatal, ou diagnóstico por investigação familiar, principalmente), o transplante de medula óssea pode ser um divisor de águas. Mas esse contexto traz outro desafio, que é prever quais pacientes irão apresentar as manifestações cerebrais da doença (nem todos apresentam) e se é realmente necessário submeter o indivíduo aos riscos de um transplante.

Por isso, pacientes diagnosticados de modo pré-sintomático devem fazer um acompanhamento clínico e radiológico (com a realização de ressonância magnética do cérebro de forma periódica) para que recebam o transplante apenas se necessário e ainda na fase inicial da degeneração da substância branca do cérebro.

Por fim, recentemente, foi desenvolvida uma terapia gênica para adrenoleucodistrofia, que introduz, no indivíduo afetado, cópias normais do gene ABCD1, transportadas por “vetores virais”. Essa terapia pode trazer benefícios semelhantes ao transplante e com menores riscos, e está levando à discussão médica sobre a possibilidade de realizar o teste genético em bebês, introduzindo o exame para adrenoleucodistrofia no teste do pezinho universal.

 

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Fonte: Dr. Roberto Giugliani - Geneticista