Biópsia: entenda o que é e como é feito o exame

 

Por Dra. Marbele Guimarães de Oliveira

 

A biópsia é recomendada em alguns casos de suspeita de doenças. O médico pode solicitar a retirada de uma amostra do seu tecido ou célula para auxiliar em um possível diagnóstico.

Mesmo que pareça algo preocupante, é necessário dizer que grande parte dos procedimentos de biópsia são indolores e de baixo risco.

O que é biópsia e para o que serve? 

A biópsia é um exame que consiste na retirada de um fragmento de uma parte do corpo (biópsia incisional) ou mesmo de um órgão ou lesão como um todo (biópsia excisional). Na maioria das vezes, quando usamos o termo “biópsia”, estamos nos referindo a biópsia incisional.

A biópsia não é feita apenas para investigação de câncer, mas também pode ser usada em outras situações como, por exemplo, durante a endoscopia com biópsia digestiva alta. Nesse procedimento muitas vezes é retirado um fragmento da mucosa do estômago para investigar se há gastrite e também é feita a pesquisa de uma bactéria causadora de gastrite, chamada Helicobacter pylori. Com este resultado, o seu médico irá estabelecer o melhor tratamento medicamentoso para erradicar a bactéria que causa gastrite, se este for o seu caso.

Nos casos de suspeita de câncer, a biópsia ajuda a definir se realmente é um câncer e caracterizar este câncer de acordo com classificações padronizadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS), a fim de que seu médico tenha as informações necessárias para decidir o melhor tratamento, seja ele uma cirurgia, quimioterapia, radioterapia, imunoterapia, ou mesmo a combinação de um ou mais destes.

Biópsia incisional e excisional

Biópsia incisional: serve para dar um diagnóstico, a fim de conduzir o médico no tratamento do paciente. Depois do resultado da biópsia, com o diagnóstico em mãos, o médico saberá se este paciente tem uma inflamação ou um câncer, por exemplo, podendo decidir o tratamento ideal. 

Biópsia excisional: É quando uma pessoa é operada com dor abdominal por uma apendicite aguda e na cirurgia é retirado o apêndice cecal, chamamos isto de biópsia excisional, porque aquele apêndice inflamado foi totalmente retirado. Sempre que qualquer parte do corpo é retirada, deve-se enviá-la para um laboratório de anatomia patológica para estudo histológico. Assim é possível garantir que era apenas uma inflamação e nenhuma doença, que precise de tratamento adicional, como um câncer está presente.

Como o exame de biópsia funciona?

Existem três locais para realizar as biópsias: consultórios, laboratórios ou hospitais. 

Dependendo do tipo de lesão no corpo, diferentes procedimentos são usados para alcançar o local das biópsias. Para biópsias no estômago e intestinos, é necessário fazer endoscopia e colonoscopia; no colo do útero, vagina e vulva, isto é feito por colposcopia e vulvoscopia. Algumas biópsias são guiadas por tomografia computadorizada e estereotaxia. São várias opções de acordo com cada situação, seja a parte do corpo que precisa ser examinada ou o tipo de doença que está sendo pesquisada pelo seu médico. Ele vai definir o procedimento ideal, quando e como ele deve ser realizado.

Biópsia de pele

Algumas biópsias de pele podem ser realizadas de maneira bem simples e com anestesia local. Há várias lesões que podem ser biopsiadas. Pode-se fazer a retirada total (biópsia excisional) ou só um pequeno fragmento da lesão (biópsia incisional).

A biópsia excisional não é ideal em todos os casos, isso porque se a lesão estiver numa área nobre, como perto do olho ou da boca, a retirada da lesão toda pode causar uma deformidade e atrapalhar a adequada abertura e fechamento destas estruturas

Nesses casos, o melhor é fazer uma biópsia incisional, saber o diagnóstico e planejar melhor a cirurgia para retirada da lesão inteira (biópsia excisional). Isto acontece muito também quando há suspeita de melanoma maligno, um câncer muito agressivo que acomete a pele e que na cirurgia é necessário retirar mais pele em volta do câncer para ter certeza que as margens estão livres.

Como a pele é um órgão externo, isto é feito diretamente sem usar um equipamento especial. Em algumas partes do corpo, para se fazer uma biópsia, é necessário usar recursos mais elaborados. 

Biópsia de próstata

Para investigar o câncer de próstata, além de acompanhar os níveis de PSA no sangue e fazer o toque retal, é necessário realizar uma biópsia transretal guiada por ultrassom.

Com o ultrassom também é possível guiar biópsias em outras partes do corpo, como os citados abaixo. 

Biópsia hepática (fígado)

A biópsia do fígado serve para avaliar hepatites crônicas, nódulos benignos e malignos e esteatose hepática, dentre outras doenças.

Biópsia da tireóide

O principal objetivo da biópsia de tireóide é analisar nódulos benignos e malignos e tireoidites.

Biópsia renal

A biópsia renal é responsável pela avaliação das glomerulopatias e nefrites tubulointersticiais em pacientes com perda de função renal, que pode estar presente em doenças autoimunes como o lúpus, doenças secundárias a uso de drogas/medicamentos, hepatites, agentes infecciosos, doenças genéticas, dentre outras, que podem chegar a uma insuficiência renal crônica (IRC) e necessitar até de diálise. 

Investigação de câncer e biópsia de mama

Nos diagnósticos de câncer, as cirurgias costumam ser para excisão de toda a lesão; para garantir, sempre que possível, que as margens estão livres. Para isto, muitas vezes, mesmo a lesão ou tumor sendo menor que o órgão, é necessário retirar tecidos normais em volta. 

Como acontece com o câncer de mama, mesmo sendo um tumor que não ocupa toda mama, algumas vezes é feita a retirada da mama inteira (mastectomia) ou uma grande porção dela (quadrantectomia ou setorectomia).

Atualmente, nesses casos, tem possibilidades de reconstrução com prótese ou outras técnicas.

Antes de decidir uma cirurgia da mama, geralmente é feita punção aspirativa por agulha fina ou biópsia da lesão que pode ser por biópsia por agulha grossa ou mamotomia. O melhor exame será definido pelo seu médico de acordo com as características da lesão, podendo ser guiada por ultrassonografia, estereotaxia, mamografia ou ressonância.

Biópsia de medula óssea

A biópsia de medula óssea é indicada, em várias situações, para pacientes com suspeita de doenças hematológicas.

Através da retirada de um fragmento ósseo da crista ilíaca em adultos, é possível avaliar a composição e localização das células hematopoiéticas (responsáveis por defender nosso corpo e formar nosso sangue). Durante o procedimento da biópsia também é obtido o aspirado da medula óssea (mielograma), gerando material para análise citológica.

Biópsia líquida

A biópsia líquida é um exame que pode ser realizado em sangue periférico para a pesquisa de alterações em genes, cujas informações podem ser utilizadas para decidir o remédio adequado de acordo com o resultado (terapia-alvo). Colher o sangue é menos doloroso e menos invasivo do que fazer a biópsia. De acordo com a avaliação do médico, a biópsia líquida poderá ser indicada em situações específicas, especialmente no acompanhamento de pacientes oncológicos.

O exame genético que temos disponível no Delboni é o Guardant 360, que é a biópsia líquida para diagnóstico oncológico e seleção de terapia. O exame é capaz de analisar 74 genes clinicamente relevantes para identificar alterações genômicas no DNA do câncer. O objetivo é evitar complicações e atrasos de uma biópsia de tecido.

Como entender o resultado de uma biópsia?

A biópsia é uma etapa importante na investigação de um problema de saúde e a partir do resultado, um tratamento adequado poderá ser realizado. Cada diagnóstico no seu laudo deve ser visto e discutido junto ao seu médico, pois ele terá as informações adequadas junto com a sua história clínica e seus outros exames laboratoriais ou de imagem para definir seu tratamento. Também poderão conversar sobre as possibilidades futuras, como nos casos de câncer.

Onde realizar um exame de biópsia?

Para realizar o exame de biópsia basta contatar o Delboni através do nosso agendamento online e escolher o local mais próximo a você.

 

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