Diverticulite causa dor abdominal e febre; saiba quando é hora de procurar ajuda

Boa alimentação é uma das formas de melhorar a doença; conheça as causas e os tratamentos

Diverticulite

Diverticulite é uma condição inflamatória que afeta o intestino grosso e que pode provocar dores abdominais intensas, febre e alterações no funcionamento intestinal. Dados da Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBPC) indicam que a Doença Diverticular afeta mais de metade dos indivíduos acima dos 60 anos de idade. No entanto, só 20% dos doentes desenvolvem a sua forma assintomática. Entenda a seguir o que causa a diverticulite, quais os sintomas mais comuns e as formas de tratamento.

Diverticulite: o que é?

Diverticulite é uma inflamação na parede interna do intestino. Ela ocorre quando pequenas bolsas ou sacos, chamados de divertículos, que se formam na parede do intestino grosso (cólon), ficam inflamados ou infectados.

Esses divertículos são comuns e, na maioria dos casos, não causam sintomas. No entanto, quando há inflamação ou infecção, o quadro pode causar dor abdominal intensa, febre e alterações no funcionamento do intestino.

Quando existem apenas os divertículos sem a inflamação associada, chamamos essa condição de diverticulose, e quando esses divertículos apresentam a inflamação associada, diverticulite.

 

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Fatores de risco

A diverticulite está diretamente associada ao estilo de vida moderno, marcado por dietas pobres em fibras e hábitos sedentários.

No entanto, ela também tem como fator de risco importante a idade, já que é mais comum em pessoas acima dos 40 anos (com maior prevalência entre os idosos).

Outros fatores de riscos conhecidos para a diverticulite são obesidade, tabagismo, histórico familiar da doença e o consumo excessivo de álcool.

Como prevenir a diverticulite?

Como a diverticulite pode estar ligada a uma alimentação pobre em fibras, a adoção de uma dieta mais saudável -- priorizando alimentos in natura, frutas, verduras, legumes etc. -- pode ajudar a combatê-la.

A manutenção de hábitos saudáveis de vida, como prática de exercício físico e a ingestão de dois litros de água por dia (pelo menos), também são práticas que podem prevenir o surgimento de complicações da doença.

Sintomas de diverticulite

É importante dizer que é possível ter a presença de divertículos sem apresentar sintomas de diverticulite. Isso porque os sintomas dependem da presença da inflamação. Nesses casos, essas estruturas podem ser identificadas em exames de rotina, como na colonoscopia.

No entanto, quando ocorre a inflamação dos divertículos, então o principal sintoma são as dores abdominais e a febre. Outros sintomas comuns são:  

  • Sensibilidade, principalmente na parte inferior esquerda do abdômen; 

  • Alterações no hábito intestinal, como diarreia ou prisão de ventre; 

  • Inchaços e/ou gases; 

  • Calafrios; 

  • Náuseas e vômitos; 

  • Falta de apetite. 

Qual médico procurar?

Ao apresentar sintomas sugestivos de diverticulite, é fundamental buscar inicialmente um médico clínico no pronto-socorro, já que se trata de uma condição que pode gerar gravidade e até risco de vida. Depois da fase aguda inicial de inflamação, deve-se buscar um médico gastroenterologista ou coloproctologista para avaliação completa e acompanhamento adequado.

Como é feito o diagnóstico da diverticulite? 

Um dos exames importantes para o diagnóstico da diverticulite é a tomografia computadorizada, pois ela permite uma visualização melhor de eventuais lesões relacionadas à doença.

Embora a colonoscopia seja um dos métodos ideais para detectar a presença de divertículos, na diverticulite, ou seja, na fase aguda da doença, o exame não é indicado, pois pode agravar o problema.

Por fim, alguns exames de sague, de imagem (como ultrassom abdominal e raio-x) e até a ressonância magnética também podem ser requisitados pelo médico para descartar outras causas para os sintomas.

Formas de tratamento

Em casos mais simples, o tratamento é feito da forma conservadora, por meio de analgésicos, antiespasmódicos e antibióticos, que devem ser usados apenas com recomendação e sob orientação médica. O uso de anti-inflamatórios nessa fase não está indicado, já que o medicamento pode agravar o quadro.

Nos casos mais graves, no entanto, quando há evolução para problemas como peritonite (inflamação do peritônio, a membrana que reveste a cavidade abdominal) e infecção bacteriana, pode ser necessário o uso de antibióticos endovenosos e, às vezes, tratamento cirúrgico.

São duas as possibilidades de cirurgia: ressecção (remoção) primária do intestino com reconstrução imediata dele; ou ressecção intestinal e realização de uma colostomia (acesso externo para liberação das fezes em uma bolsa coletora externa) temporária, que será revertida após aproximadamente 12 semanas.

Os procedimentos podem ser realizados por via convencional (com corte), por vídeo laparoscopia ou, com uma técnica mais moderna, que é a cirurgia robótica, também conhecida como minimamente invasiva.

 

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Autor: Décio Chinzon - Gastroenterologista