Glicose alta, baixa e normal: entenda o que significa

Por Dra. Myrna Perez Campagnoli 
 

O açúcar do sangue, ou glicose do sangue, é um importante marcador metabólico. Possui uma variação durante o dia que é normal e está intimamente relacionada aos nossos hábitos de vida.  
 

O que é glicose?  

Glicose é sinônimo de açúcar e a sua taxa no nosso sangue é chamada de Glicemia. 

Você sabia que o açúcar do sangue não está relacionado apenas a alimentos doces? 

O consumo de todo e qualquer alimento interfere nos níveis de glicose no sangue, isso porque os alimentos contém carboidratos e outros nutrientes que, após serem digeridos, se transformam em açúcar. O que varia é a quantidade e a rapidez com que a sua glicemia será alterada. 
 

glicose no sangue

O que significa glicose alterada? 

A glicemia pode ser realizada após jejum ou após alimentação e os valores esperados são diferentes. A glicose alterada pode ser indicativo de riscos para a saúde então, na vigência de um valor alterado no seu exame de sangue, é importante a repetição do mesmo seguindo regras claras de jejum ou sobrecarga (ingesta de glicose) para garantir o diagnóstico preciso. 

Valores de referência 

  • Glicose ou glicemia em jejum de 8 a 12 horas: 70 a 99 mg/dL 
  • Glicemia aleatório ou após sobrecarga (alimentação ou sobrecarga de glicose): até 200mg/dL. 

Porém, existem faixas intermediárias que são sinais de alerta para que seja possível a mudança de hábitos e controle do açúcar no sangue. 

  • A glicose de jejum entre 100 e 125 mg/ dL é chamada de glicemia de jejum alterada. A partir de 126 mg/dL já temos o diagnóstico de diabetes
  • Na glicose sem jejum, valores acima de 140 mg/dL remetem ao diagnóstico de Intolerância à Glicose e acima de 200mg/dL, também temos o diagnóstico de diabetes. 

Por isso é muito importante monitorar a sua glicose pelo menos 1 vez ao ano e estar atento às taxas de normalidade e aos sinais de alerta. 
 

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Sintomas de glicose alta 

A glicose alta, ou hiperglicemia, pode ser silenciosa por muitos anos e por isso a monitorização é tão importante. Apesar de não causar sintomas desde o início do quadro, pode causar danos ao organismo e aos órgãos. 

Os principais sintomas de glicose alta são: 

  1. Excesso de sede; 

  1. Excesso de urina; 

  1. Fome excessiva; 

  1. Emagrecimento repentino sem redução da ingestão de calorias 

  1. Cansaço e fadiga frequentes; 

  1. Visão embaçada; 

  1. Pele seca; 

  1. Dificuldade em cicatrização; 

  1. Dor de cabeça; 

  1. Tonturas; 

  1. Dor abdominal e náuseas frequentes 

  1. Mudanças no hálito 

  1. Infecções mais frequentes. 
     

Sintomas de glicose baixa 

A glicose baixa, ou hipoglicemia, geralmente causa sintomas e é uma situação de urgência, podendo ser a causa de acidentes de trabalho, acidentes automobilísticos e quedas. 

Os sintomas na fase inicial da hipoglicemia (glicose de 60-70 mg/dL) podem ser brandos e até ignorados por muitas pessoas. Dor de cabeça, sensação de sono, fome, alterações de humor, são sintomas iniciais de glicose baixa. 

Com a redução dos níveis de glicose para faixas abaixo de 60mg/dL, os sintomas se agravam e podem causar desmaios, convulsões, coma e até a morte.  

Os principais sintomas de glicose baixa são:  

  1. Dor de cabeça; 

  1. Tontura; 

  1. Fome; 

  1. Alterações de humor; 

  1. Tremor; 

  1. Palidez; 

  1. Confusão mental; 

  1. Baixa coordenação motora; 

  1. Baixa concentração; 

  1. Desmaio; 

  1. Crises convulsivas; 

  1. Coma. 

Em pessoas portadoras de diabetes, a hipoglicemia é especialmente perigosa, pois há uma perda progressiva da sensibilidade a baixa de glicose, ou seja, a pessoa deixa de apresentar sintomas que indiquem que o açúcar do sangue está baixo, o que expõe ao risco de desmaios e coma mesmo sem sintomas iniciais. Nos diabéticos o controle de glicose e a realização de testes de glicemia são indispensáveis para a segurança e melhor controle e tratamento. 
 

Fatores de risco 

As alterações da glicose estão intimamente relacionadas aos hábitos de vida. Alimentação saudável e variada associada a atividade física regular é uma excelente receita para controlar as taxas de açúcar no sangue. 

O diabetes pode ter um grau de predisposição hereditária, mas não é uma sentença. Bons hábitos e a realização de exames regulares permite identificar os sinais de alerta e ao menos postergar o aparecimento do diabetes. 

A obesidade é um fator de risco para as alterações da glicose. Por outro lado, longos períodos de jejum e exercícios de alta performance sem orientação profissional podem predispor a hipoglicemia. 
 

Quais as diferenças entre as diabetes tipo 1, 2 e gestacional? 

Diabetes é uma doença metabólica, que cursa com elevação dos níveis de glicose no sangue e pode acometer homens e mulheres, adultos e crianças. É uma doença crônica que ainda não tem cura, mas possui tratamento efetivo. O tratamento depende da adesão do diabético ao uso dos medicamentos e mudança nos hábitos de vida. 

 As complicações do diabetes estão diretamente relacionadas ao controle da doença. Diabéticos com bom controle da glicose tem baixo índice de complicações de longo prazo, como doenças nos rins, olhos e circulação. 
 

Diabetes tipo 1 

Também conhecido como insulino dependente, é um tipo genético e autoimune de diabetes, que acomete prioritariamente crianças e adolescentes e se caracteriza por um aparecimento súbito de sinais e sintomas de hiperglicemia. Neste tipo de diabetes, o corpo pára de produzir insulina, hormônio que regula o açúcar do sangue, e, por isso, o tratamento sempre é baseado na reposição de insulina por via subcutânea (injetável), além das mudanças alimentares e de atividade física. 
 

Diabetes tipo 2  

É o tipo de diabetes mais frequente, acomete homens e mulheres e é mais recorrente em adultos e idosos, podendo acontecer em crianças em menor frequência. 

Está muito associado aos hábitos de vida, alimentação, atividade física e obesidade. Existe algum padrão de familiaridade (hereditariedade), porém pode ser prevenido através da mudança de hábitos no momento certo. Neste tipo de diabetes, a insulina produzida pelo organismo tem ação reduzida e, por isso, é menos eficiente em controlar a glicose no sangue. O tratamento varia de indivíduo para indivíduo, podendo incluir medicamentos orais e injetáveis, além da mudança de hábitos de vida. 
 

Diabetes gestacional 

Como o nome indica, é o tipo de diabetes que pode acontecer durante a gravidez. Não inclui gestantes que já tinham o diagnóstico de diabetes prévio à gestação, ok?! Então, se no primeiro trimestre os níveis de glicose estiverem alterados (acima de 126 mg/dL), trata-se, provavelmente, de diabetes prévio à gestação. 

Neste tipo de diabetes, em virtude de algumas substâncias produzidas pela placenta, associado a fatores individuais (predisposição) da futura mamãe, a insulina não consegue exercer seu papel de controle da glicose. Aparece no segundo ou terceiro trimestre e precisa ser tratado para a segurança da mãe do bebê. Dentre os fatores individuais que podem ser evitados está o ganho excessivo de peso durante a gravidez, por isso realizar exercícios e ter orientação nutricional durante a gestação é super importante. 

exame na gravidez, é indicado por volta da 24ª semana e todas as gestantes precisam realizar o teste oral de tolerância à glicose, a famosa curva glicêmica. Esse teste permite avaliar de forma mais precisa os níveis de glicose em jejum e após a sobrecarga de glicose. Um ponto de atenção é que os níveis de normalidade para a glicose na gestação são diferentes da população geral, já sendo indicativo de diabetes gestacional glicemias de jejum a partir de 92 mg/dl em qualquer momento. 
 

Teste de glicose com fitas 

O teste de glicose com fitas, também conhecido como glicemia capilar, é um exame que o próprio paciente pode realizar em casa e tem o objetivo de permitir um controle mais frequente dos níveis de glicose. 

A glicemia capilar é diferente da glicose dosada pelo laboratório, pois o local de coleta é diferente (vasos capilares das extremidades dos dedos x coleta venosa) e a metodologia de análise também não é a mesma. A diferença entre as dosagens pode chegar a 20%. 

Glicemia em jejum 

A glicemia de jejum é a medida da glicose do sangue após um período de 8 a 12 horas em jejum. Como todos os alimentos, sólidos e líquidos, doces ou salgados, interferem nas taxas de açúcar do sangue, o jejum deve ser rigoroso, evitando inclusive a ingestão de caldos ou bebidas sem adição de açúcares. O jejum muito prolongado, acima de 12 horas, também interfere nas taxas de glicose, pois há liberação de hormônios e substâncias que estimulam a produção de açúcares pelo próprio corpo, podendo gerar taxas acima do esperado. 

O exame é simples e rápido, feito através de uma coleta de sangue 

O valor de normalidade é de 70 a 99 mg/dl. 
 

Hemoglobina glicada 

Hemoglobina glicada ou HBA1c, é um exame de sangue que permite a avaliação de uma média de glicemia dos últimos 90 a 120 dias. É excelente como exame de controle do diabetes e pode ser usado inclusive para apoiar o diagnóstico das alterações de glicose e do próprio diabetes. A Hemoglobina glicada possui vantagens como exame de triagem e controle: 

  1. Não necessita jejum para a coleta; 

  1. Não sofre alterações das últimas refeições; 

  1. Permite o cálculo da glicemia média estimada; 

  1. Tem faixas alvo bem estabelecidas para controle do diabetes. 

Alguns fatores e medicamentos podem interferir no resultado da hemoglobina glicada, como anemias e hemoglobinopatias, elevação de ureia  e triglicerídeos, uso de AAS (ácido acetil salicílico) e hipoglicemias frequentes.  

O exame é simples e rápido, feito através de uma coleta de sangue.

A faixa de normalidade para não diabéticos é de 4,9 a 5,8%. 

A glicemia média estimada (GME) pode ser consultada na tabela abaixo, e se refere ao resultado de um cálculo realizado a fim de traduzir e facilitar o entendimento dos níveis de hemoglobina glicada. Importante ressaltar que esse cálculo é uma média e que os níveis de glicose oscilam o dia todo, não sendo esse valor (GME) um valor exato. 
 

Frutosamina 

A frutosamina é um exame de sangue que permite avaliar a média da glicemia nos últimos 14 dias. É uma boa alternativa para substituir a dosagem de HbA1c em situações em que existem fatores que alteram a dosagem da hemoglobina glicada, como anemias e hemoglobinopatias, elevação de ureia  e triglicerídeos, uso de AAS (ácido acetil salicílico). 
 

1,5 anidroglucitol 

É um exame de sangue que busca avaliar o tempo de exposição à hiperglicemia e pode ser um excelente aliado como exame de controle do diabetes. Seus níveis são inversamente proporcionais ao controle, ou seja, quanto menores as taxas, maior o tempo de exposição a níveis elevados de glicose. Não substitui a hemoglobina glicada, mas pode ajudar na sua interpretação, especialmente em pessoas que oscilam entre hiperglicemia e hipoglicemia e que podem ter níveis falsamente normais da HbA1c. 
 

Glicemia pós-prandial 

É a medida da glicose após a alimentação. É um indicador importante para avaliar a tolerância à glicose de pessoas com e sem diabetes 

O ideal é que a coleta do sangue seja realizada após 2hs do término da refeição. 

Valores acima de 140 mg/dL devem ser reavaliados com novos exames e mudança de hábitos de vida.  

Os valores propostos para pacientes diabéticos variam de acordo com a idade, sendo considerados ideais valores abaixo de 160 mg/dl para adultos e 180 mg/dL para crianças, com variação para grupos especiais como lactentes, adolescentes e idosos.  
 

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Teste de tolerância à glicose (curva glicêmica) 

O teste de tolerância à glicose, também conhecido como curva glicêmica, TTOG ou sobrecarga oral de glicose, é um exame importante no diagnóstico das alterações de glicose.  

Trata- se de um exame que tem duração média de 2 horas, mas pode variar de acordo com a indicação do médico. O exame é composto por algumas coletas de sangue, que devem ser realizadas de forma intervalada. 

Após a primeira coleta, é oferecida uma solução concentrada de glicose ( 75g de glicose) que precisa ser ingerida por via oral.  Desta forma, será dosada a quantidade de açúcar no sangue antes da solução e após a ingestão, permitindo avaliar como o corpo absorve e processa a glicose 

Outros exames podem ser realizados junto com a glicemia, como a insulina, peptídeo C, dentre outros. Todos esses exames auxiliam na interpretação e diagnóstico do metabolismo glicêmico. 

Nem todos os momentos de coleta possuem valores de referência bem estabelecidos, porém a dosagem da glicose após 120 minutos da sobrecarga é o principal marcador diagnóstico para o diabetes. Valores acima de 200mg/dl aos 120 minutos são indicativos do diagnóstico de diabetes. 

Esse exame não está indicado para controle do diabetes e sim para a confirmação diagnóstica. 

É também a principal ferramenta diagnóstica para o diabetes gestacional e deve ser realizada por volta da 24 semana de gravidez.  

De acordo com o Ministério da Saúde e a Febrasgo, o diagnóstico de Diabetes gestacional é avaliado por valores especiais na interpretação do TTOG, conforme exposto abaixo. Basta apenas um dos valores alterados para que se faça o diagnóstico, ok?
 

  Glicemia de jejum   Até 92 mg/dL
  1 hora após TTOG com 75g   Até 180 mg/dL
  2 horas após TTOG com 75g   Até 153 mg/dL


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