Glicose alta, baixa e normal: entenda o que significa

Você sabia que glicose é o nome dado ao açúcar que circula no corpo? Sim, e ele precisa desse açúcar para funcionar, mas, seu excesso ou deficiência podem causar problemas sérios à saúde. 

glicose

Quando esse descontrole significa níveis de glicose constantemente altos, estamos falando da principal característica do diabetes, uma doença crônica. E essa é uma realidade para muitos brasileiros.  

Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), mais de 16 milhões de pessoas no país vivem com essa condição. O cenário global também é preocupante. A Federação Internacional de Diabetes (IDF) estima que um em cada 11 adultos no mundo tenha diabetes. E quase metade deles nem sabe que tem a doença. 

Mas, com informação e acompanhamento médico, é possível manter os níveis de glicose sob controle. 

 

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O que é glicose (açúcar no sangue) e qual sua função? 

A glicose é o açúcar presente no sangue. E ela funciona como a principal fonte de energia para as células do nosso corpo. É o combustível essencial para o cérebro, músculos e todos os outros órgãos. 

Essa glicose vem principalmente dos alimentos que comemos, em especial dos carboidratos. Quando nos alimentamos, o corpo transforma esses nutrientes em glicose, que é absorvida e cai na corrente sanguínea. Outra forma de obtenção de glicose para o corpo é a partir do fígado, que tem uma fonte de reserva chamada glicogênio. 

Para que a glicose saia do sangue e entre nas células para gerar energia, ela precisa do hormônio insulina, produzido no pâncreas. Se a insulina não funciona direito, ou se o pâncreas não a produz em quantidade suficiente, o açúcar sobra no sangue. 

Valores de glicose: o que é normal, alto e baixo? 

Os valores de glicose são medidos em miligramas por decilitro (mg/dL) de sangue. Um nível normal em jejum fica abaixo de 100 mg/dL. Quando esse valor está abaixo de 70 mg/dL, temos m quadro de glicose baixa, a hipoglicemia. 

Já a glicose alta, ou hiperglicemia, acontece quando os níveis em jejum estão acima do normal. Valores persistentemente altos podem indicar pré-diabetes ou diabetes

Glicemia de jejum vs. pós-alimentação 

Existem diferentes formas de medir a glicose, e os valores de referência mudam. Os dois cenários mais comuns são o jejum e o pós-alimentação. 

A glicemia de jejum é o exame mais comum. Ele é feito após um período de 8 a 12 horas sem ingestão de alimentos. Ele mostra como o corpo lida com a glicose sem o impacto imediato da comida. 

Já a glicemia pós-prandial é medida 2 horas após uma refeição. Ela avalia como o organismo reagiu à carga de carboidratos que você comeu. Nesses casos, o esperado é que o valor esteja abaixo de 140 mg/dL. 

Glicemia normal, glicemia de jejum alterada e diabetes 

Com o resultado do exame de jejum em mãos, os médicos usam valores de referência definidos pela SBD: 

  • Normal: entre 70 mg/dL e 99 mg/dL;
  • Glicemia de jejum alterada (pré-diabetes): entre 100 mg/dL e 125 mg/dL. Isso é um sinal de alerta máximo. Indica que há um risco muito elevado de desenvolver diabetes tipo 2;
  • Diabetes: resultado igual ou superior a 126 mg/dL em dois exames de jejum feitos em dias diferentes. 

Um diagnóstico de diabetes também pode ser feito se a glicose estiver acima de 200 mg/dL a qualquer hora do dia, acompanhada de sintomas, ou por outros exames específicos. 

Sintomas de glicose alta  

Os principais sintomas de glicose alta (hiperglicemia) são sede, vontade de urinar e fome excessivas. Isso porque o corpo tenta eliminar o excesso de açúcar pela urina, o que acaba "puxando" mais água e desidratando. 

Muitas vezes, porém, a glicose alta não dá sinais – o que é muito comum no diabetes tipo 2, que pode passar anos silencioso.  
 
Outros possíveis sinais são: 

  • Visão embaçada ou turva; 
  • Cansaço e fraqueza; 
  • Infecções frequentes, como candidíase ou infecção urinária; 
  • Demora na cicatrização de feridas; 
  • Perda de peso sem motivo aparente (mais comum no tipo 1). 

Sintomas de glicose baixa (hipoglicemia) e riscos 

A hipoglicemia acontece quando a glicose cai para menos de 70 mg/dL. Os sintomas mais comuns são tremores, suor frio, palpitações (coração acelerado) e uma fome súbita. O corpo reage rapidamente à falta de combustível. 

Se a glicose continuar caindo, os sintomas neurológicos aparecem. E isso inclui tontura, confusão mental, dificuldade de fala e visão turva. 

O grande risco da hipoglicemia é a perda de consciência. Em casos graves, a falta de glicose no cérebro pode levar a convulsões e até ao coma. Por isso, ela precisa ser tratada imediatamente. 

Fatores de risco para alterações da glicose 

Os fatores de risco variam dependendo do tipo de diabetes. Para o tipo 1, a principal causa é uma predisposição genética e autoimune, que não pode ser prevenida.

Já para o diabetes tipo 2, que é o mais comum, os fatores de risco estão muito ligados ao estilo de vida e à genética. O principal fator é o histórico familiar, mas, além dele, os mais importantes são: 

  • Sobrepeso ou obesidade (especialmente gordura abdominal); 
  • Sedentarismo (falta de atividade física); 
  • Idade acima de 45 anos; 
  • Pressão alta (hipertensão); 
  • Colesterol e triglicerídeos elevados; 
  • Ter tido diabetes gestacional ou um bebê com mais de 4kg; 
  • Síndrome dos ovários policísticos (SOP). 

Tipos de diabetes: conheça as diferenças 

O diabetes é uma doença crônica caracterizada pela glicose alta no sangue. Isso acontece porque o pâncreas não produz insulina ou porque o corpo não consegue usar essa insulina de forma eficaz (a chamada resistência insulina). Existem vários tipos, mas três são os principais. 

Diabetes tipo 1 

O diabetes tipo 1 é uma doença autoimune na maioria das vezes, ou seja, próprio sistema de defesa da pessoa ataca e destrói as células do pâncreas que produzem insulina. Por isso, o corpo produz pouca ou nenhuma insulina. 

Geralmente, ele é diagnosticado predominantemente na infância ou adolescência. Corresponde a cerca de 5% a 10% de todos os casos de diabetes. Pessoas com tipo 1 precisam de injeções diárias de insulina para sobreviver. 

Diabetes tipo 2 

O diabetes tipo 2 é o mais comum, respondendo por cerca de 90% dos casos. Aqui, o problema é duplo: o corpo desenvolve resistência à ação da insulina e, com o tempo, a produção do pâncreas também diminui. 

Ele está associado à obesidade, sedentarismo e envelhecimento. Diferentemente do tipo 1, pode ser controlado por muitos anos apenas com dieta, exercícios e medicamentos orais. 

Diabetes gestacional 

Como o nome diz, é o diabetes que acontece durante a gravidez. Os hormônios da própria gestação podem atrapalhar a ação da insulina no corpo da mãe, aumentando a glicose no sangue. 

Ele costuma desaparecer após o parto, mas é um alerta importante. A mulher que teve diabetes gestacional tem um risco muito maior de desenvolver diabetes tipo 2 no futuro. 

Tratamento e controle: glicose alta e o que fazer na hipoglicemia 

O tratamento muda se a glicose está alta (hiperglicemia) ou baixa (hipoglicemia). 

Tratamento da hiperglicemia 

O controle do diabetes (glicose alta) depende de alimentação saudável, atividade física e, se necessário, medicamentos.  

Uma dieta com menos carboidratos simples (doces, massas brancas) e mais fibras – com fruas, verduras e legumes -, ajuda muito. E atividade física regular ajuda a deixar o corpo mais sensível à insulina. 

Se isso não for suficiente, entram os medicamentos orais. O mais conhecido é a metformina. Em alguns casos de diabetes tipo 2, e em todos os casos de tipo 1, a aplicação de insulina é necessária para manter a glicose em níveis seguros. 

Ação imediata: como reverter a hipoglicemia 

Na hipoglicemia, é preciso agir rápido. A meta é consumir de 15 a 20 gramas de carboidrato de ação rápida. E isso equivale a: 

  • 1 colher de sopa de açúcar diluída em água; 
  • 1 copo de suco de laranja ; 
  • 1 copo de refrigerante comum (não diet ou zero). 

Depois de 15 minutos, a pessoa deve medir a glicose novamente. Se ainda estiver baixa, deve repetir o processo.  

Mas, se a pessoa estiver inconsciente ou tendo convulsões, nunca se deve tentar dar líquidos ou açúcar pela boca, pelo risco de engasgo. Nesses casos, é preciso usar uma injeção de glucagon (se disponível) e levar a pessoa imediatamente à emergência. Na falta do glucagon e se o paciente está inconsciente, o paciente deve ser levado ao hospital para consumo de glicose venosa. 

Complicações de longo prazo da glicose alta (diabetes) 

Manter a glicose alta por muitos anos é perigoso. O excesso de açúcar no sangue age como uma "ferrugem", danificando os vasos sanguíneos e os nervos do corpo. Isso afeta principalmente os rins, olhos, nervos e o sistema cardiovascular. 

Doenças renais 

Os rins são formados por milhões de pequenos filtros que a glicose alta lesiona ao longo do tempo. É a chamada doença renal do diabetes. 

No começo, a doença renal não dá sintomas. Mas, se não for controlada, ela evolui para a insuficiência renal crônica. E a pessoa pode precisar de diálise (filtragem artificial do sangue) para sobreviver. 

Doenças cardiovasculares 

O diabetes aumenta muito o risco de infarto e de acidente vascular cerebral (AVC). E essas são as principais causas de morte em pessoas com a doença.

A glicose alta, muitas vezes somada à pressão alta e ao colesterol elevado (combinação comum), danifica as paredes das artérias. E isso facilita a formação de placas de gordura, que podem entupir as artérias do coração e do cérebro. 

Principais exames para avaliação e controle da glicose 

O primeiro exame costuma ser a glicemia de jejum. Se ela vier alterada, ou se a pessoa tiver sintomas, o médico pede outros exames para confirmar o diagnóstico e começar o acompanhamento. 

Glicemia em jejum: como é feito e valores de referência 

Trata-se de um exame de sangue simples, como um hemograma, por exemplo. Antes do exame, é necessário um jejum de 8 a 12 horas sem comer (apenas água é permitida).  
 
O resultado mostra a glicose naquele momento. E, como vimos, o normal é abaixo de 100 mg/dL, pré-diabetes de 100 a 125 mg/dL, e diabetes acima de 126 mg/dL. 

Hemoglobina glicada (HbA1c): o que é e por que é importante? 

A hemoglobina glicada (ou HbA1c) não mostra a glicose do momento, mas sim uma média dos últimos 2 a 3 meses. O exame mede a porcentagem de hemoglobina (proteína do sangue) que está "grudada" na glicose. Quanto mais alta a glicose esteve nesse período, maior será o valor da HbA1c. 

Portanto, a glicemia de jejum funciona como um retrato de como está o metabolismo da glicose no seu corpo, e a hemoglobina glicada funciona como um filme dos últimos 2 a 3 meses. 

Esse exame é usado tanto para diagnóstico (valor igual ou maior que 6,5% indica diabetes) quanto para o controle. Para quem já tem diabetes, a meta geral é manter a HbA1c abaixo de 7%, para reduzir o risco de complicações. 

Teste de tolerância à glicose (curva glicêmica): quando é indicado? 

O teste de tolerância oral à glicose (TOTG), ou curva glicêmica, é um exame mais longo. Ele é muito usado para investigar casos de pré-diabetes e para diagnosticar o diabetes gestacional. 

A pessoa colhe sangue em jejum e, em seguida, bebe um líquido muito doce (com 75g de glicose). Depois, colhe sangue novamente, geralmente 2 horas após a ingestão. O exame avalia a capacidade do corpo de processar essa carga de açúcar. 

Glicemia pós-prandial e glicemia capilar 

A glicemia pós-prandial mede a glicose 2 horas após uma refeição. Já a glicemia capilar é o famoso teste de "ponta de dedo". Ele é feito em casa, com um aparelho chamado glicosímetro. A pessoa fura o dedo, coleta uma pequena gota de sangue e o aparelho dá o resultado em segundos.  

Tanto a glicemia pós-prandial quanto a glicemia capilar são úteis para o acompanhamento da pessoa que já tem diabetes, não sendo utilizados para o diagnóstico dessa condição. 

Atendimento domiciliar: coleta do exame no conforto de casa

Com o atendimento domiciliar do Delboni, você pode fazer esses exames em casa. O Delboni vai até você e sem taxa de deslocamento. Para obter mais informações e realizar seu agendamento, acesse nossa plataforma digital.

 

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Fonte: Dra. Laura Lopes - médica endocrinologista